Semelhante ao acontece em várias cidades catarinense, em Caçador também se intensifica a queda de braço entre a gestão municipal e o Sindicado Municipal dos Servidores Públicos. O motivo da discórdia é a busca por melhorias salariais e de benefícios e um modo geral.
Na semana passada aconteceram os primeiros embates e nesta semana novos desdobramentos devem ocorrer. Primeiramente o prefeito Alencar Mendes (PL) enviou para a Câmara uma proposta com previsão de reposição salarial fixada estritamente na perda inflacionária em 4,44% de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). A proposta foi aprovada pelos vereadores.
Descontentes com apenas a reposição da inflação sem ganho real os servidores iniciaram estado de greve e foram até a prefeitura protestar. O prefeito chegou a atender o sindicato. Sem avanços.
Nesta semana a categoria promete mais barulho com manifestação nesta terça (3) na prefeitura e na Câmara de Vereadores e também na quinta-feira (5). A administração promete oferecer uma contraproposta até quinta.
Vale alimentação
Em live nas redes sociais o prefeito Alencar justificou que além da reposição de acordo com a inflação, a atual administração também mexeu em uma incongruência jurídica que estava em vigência com a coexistência de dois vales de alimentação. O prefeito explica que existia um vale-alimentação de R$ 400 beneficiando cerca de 1.700 servidores e uma pequena parcela de 257 servidores, que ganham até 2.1 salários mínimos, recebiam um segundo vale-alimentação de outros R$ 400.
O que a atual administração fez foi corrigir isso equiparando o vale-alimentação a um valor único para todos os servidores no valor de R$ 800. O prefeito justifica que só com isso – por exemplo para um servidor com salário de R$ 4 mil – já se teve um ganho no que recebe de 10%, além da correção da inflação no salário base.

Queda na arrecadação
Ao sentar à mesa para negociar o prefeito Alencar lembra que a prefeitura passa por crise financeira e aponta que somente no ano passado a arrecadação municipal, na ordem de R$ 480 milhões, teve uma queda de R$ 15 milhões.
Ele explica que essa redução de receita tem origem na crise gerada com o tarifaço do presidente americano Donald Trump, que atingiu em cheio as madeireiras exportadoras, principal base econômica de Caçador, que têm no mercado americano seus principais parceiros comerciais.
Em que pese neste início de ano Trump sofrer um revés com o Poder Judiciário americano barrando o tarifaço, o prefeito entende que seus efeitos ainda perdurarão durante todo 2026, exigindo cautela.
Alencar informa que somente com a unificação dos vales de alimentação, contemplando a grande maioria dos servidores públicos, o custo anual será de R$ 5 milhões a mais nos cofres públicos.
Ganho real
Enquanto a administração municipal oferece equiparação no vale-alimentação, um benefício que não agrega na aposentadoria, por exemplo, a pauta da categoria defendida pelo Sindicato Municipal dos Servidores Públicos é bem clara e passa por ganho real nos vencimentos, não apenas o reajuste do percentual inflacionário.
“Exigimos valorização de carreira. Vale-alimentação não agrega nada na carreira do servidor. Exigimos aquilo que vai agregar nos triênios, nas mudanças de nível, na sexta parte e principalmente na aposentadoria”, sintetizou Jorge Luiz Gonçalves, presidente do Sindicato em entrevista nas redes sociais do vereador André Alves (MDB).
Segundo ele, a luta é por um agregado no salário que vai beneficiar ativos e aposentados. Ele pontua, por exemplo, que na proposta da prefeitura aprovada pela Câmara, os aposentados do IPASC não recebem nada mais do que o percentual inflacionário. “Queremos uma aposentadoria digna”, pondera Jorge.
Ele argumenta que o Sindicato fez os cálculos e segundo essa planilha é possível conceder 10% de ganho real nos vencimentos esse ano, no ano que vem e em 2028. “E nem lá em 28 o prefeito vai ter estourado o limite prudencial que é o teto máximo que ele pode ter com folha”, comenta. “Não há outro argumento que não a falta de interesse político em valorizar os servidores”, completa Jorge.

Aos comissionados tudo
O presidente do Sindicato, Jorge Luiz Gonçalves, também sintetizou a insatisfação da categoria do quadro efetivo com a discrepância do tratamento da atual administração se comparado com os servidores comissionados.
“Com o passar dos anos migalhas para o servidor de carreira, do quadro geral, já para os servidores em comissão teve um aumento exorbitante já no início da nova administração”, lembra o dirigente.
Ele também recorda do aumento para os procuradores do município por dedicação exclusiva de 30% do salário. Jorge questiona salientando que inúmeros outros servidores efetivos também são exclusivos da prefeitura e nem por isso tiveram direito a 30% no salário.
Jorge critica a falta de valorização dos efetivos. “Pra tudo tem dinheiro, menos pra valorizar o servidor efetivo”, reclama.

Tempestade perfeita
Semana passada a atual administração de Caçador passou por uma tempestade perfeita de crises. Além do início do estado de greve dos servidores outros dois casos tiraram o sono do prefeito Alencar.
Primeiramente foi a remoção da médica Jiumayane O. Gutierrez do Posto de Saúde do bairro Martello, que gerou revolta generalizada da comunidade, especialmente seus pacientes.
O terceiro assunto foi o vídeo da mãe denunciando a forma de atendimento, no mínimo questionável, por parte de servidores da creche do Alto Bonito. A prefeitura chegou a liberar uma Nota Oficial dizendo que vai apurar a denúncia.
Ao que parece, o ano realmente começa depois do Carnaval!




