A cada ano Legislativo, quando um novo presidente assume a Câmara de Caçador, existe sempre uma expectativa quanto à condução dos trabalhos. Por mais que a Casa ande quase que sozinha, por conta de seu eficiente corpo técnico, é o presidente, amparado pela Mesa Diretora, que dá o norte, dá o ritmo.
Neste início de 2026 não é diferente com a ascensão ao comando da Casa do vereador Jonatas Maia, o Bainho. Até o ano passado o vereador do PL respondia em plenário pela liderança do Governo e agora tem a missão de comandar até o final deste ano o segundo mais importante poder da política caçadorense.
E como será a presidência de Bainho? Se fosse para resumir diria que será dinâmica e digital. Bainho não deverá fugir de seus predicados. Foi esse perfil sintonizado com a comunicação política atual – que tem como referência o deputado federal mineiro, Nikolas Ferreira – que lhe conferiu o mandato e será esse o norte que o jovem vai imprimir na sua presidência.
Bainho quer escancarar as portas da Câmara para as novas tecnologias digitais e até de Inteligência Artificial. O objetivo é usar essas ferramentas como auxiliares em vários processos do legislativo. Isso poderá ser feito desde o atendimento ao público, como por exemplo com o uso de um token informativo no acesso ao prédio; até um painel digital para dar mais transparência nas votações no plenário e também passando pela incorporação de IA e outras ferramentas digitais no processo legislativo diário e funcionamento da Câmara de uma forma geral.
Essas nuances tecnológicas não terão o objetivo apenas de inovar ou acelerar a produção legislativa, mas também de aproximar o Legislativo das pessoas. E isso é uma carência. Há praticamente 30 anos escuto presidentes diagnosticar que a Câmara precisa falar com outros nichos da sociedade e chamar a atenção para as importantes e impactantes decisões que são por ela tomadas.
Na prática, além desse verniz digital e de dinamismo, o novo presidente também observa necessárias mudanças funcionais. Em plenário, pra além da votação digital, existem necessidades de novas dinâmicas, como por exemplo, maior flexibilização do espaço de Pequenos Comentários, para que os vereadores possam explorar certos temas que exijam maiores explicações.
Também está no radar do novo presidente a necessária revisão do Regimento Interno da Câmara. A última atualização aconteceu em 2016. De lá pra cá o mundo mudou e muito. Bainho pensa numa parceria com a UVESC – União dos Vereadores de Santa Catarina para esse trabalho, até para abrir o legislativo caçadorense para ideias mais modernas do que acontece com o parlamento Estado a fora.
Outra novidade que deverá pintar neste ano de 2026 é a implantação da Escola do Legislativo na Câmara de Caçador. É uma vontade do presidente e que depende da busca dos ajustes para sua funcionalidade. Trata-se de uma ferramenta relevante para melhorar a qualidade da técnica legislativa e vai ajudar nesse aspecto desde vereadores até assessores, equipe técnica da Casa e vereadores mirins.
Paralelo a tantas ações o presidente Bainho pretende dar a sequência na ampla reforma pela qual passa o prédio da Câmara. A reforma é considerada a maior dos últimos 20 anos. As melhorias no Plenário ficam prontas neste mês de março. Restarão acabamentos e talvez uma boa revisada na parte elétrica da Casa.
Nova liderança
Bainho tem tudo para fazer um belo mandato na presidência do Legislativo e não tão somente deixar seu quadro na galeria dos presidentes. Apesar de jovem, sabe o que quer e vai em busca. Pertence a uma nova safra de políticos caçadorenses inserido nesse novo modo de se fazer política.
Candidatou-se a vereador em 2000, pelo Democratas e fez 697 votos. Perdeu a vaga para o colega de partido, Leandro Sawchuk que fez 707 votos. Não desanimou. Encarou a Secretaria de Esporte, Turismo e Cultura como um desafio para conhecer a máquina pública de dentro. Em 2024, pelo PL, foi em busca do mandato como vereador que veio com a terceira maior votação daquela eleição: 1.480 votos.
Diria que Bainho é o principal político de Caçador pertencente a um nicho político, que no seu caso é o bolsonarismo. Puxa manifestações e mobilizações. É nessa vertente da política de direita que tem seus principais apoiadores como a deputada federal, Carol de Toni. Continuando assim, tem potencial para galgar espaços maiores no futuro.




