O setor econômico e Caçador de um modo geral receberam com euforia a decisão tomada pela Suprema Corte dos Estados Unidos que, na sexta-feira (20), derrubou o tarifaço imposto globalmente pelo Presidente Donald Trump que dificultou o comércio com os EUA e prejudicou diretamente a economia caçadorense. Várias autoridades e empresários se manifestaram contentes com a decisão, entre eles o deputado federal Valdir Cobalchini (MDB).
Desde quando o tarifaço entrou em vigor no ano passado, Cobalchini tem se colocado à disposição de empresários e setores representativos como a Fiesc, Acic e Sindicato da Madeira, para intermediar negociações envolvendo o governo Federal brasileiro e o americano. Ele classificou a decisão da Justiça americana como a notícia mais importante desde início de ano para a economia caçadorense.
“A expectativa que nós tínhamos era de que isso pudesse acontecer agora em março, mas antecipou. Comemoramos muito, me envolvi muito nessa causa em Brasília, através do Ministério da Indústria e do Comércio, na Embaixada Americana e no Itamarati”, argumentou. Ele pondera que muitas empresas de Caçador exportam para os EUA e essas empresas passaram por momentos muito difíceis.
O deputado salienta que a ativação da economia salva empregos. “Essa notícia vem como tábua de salvação para a economia de nossa cidade, garantindo os empregos e até mesmo que os empregos que foram perdidos que voltem a incorporar”, frisou.
Cobalchini comentou final de semana que vem nos últimos dias cumprindo agendas fora da cidade, mas assim que possível fará o contato com todas as empresas e entidades empresariais. “Até para saber o novo cenário diante do fim do tarifaço”, disse. O deputado finalizou que pretende repercutir o assunto da Tribuna da Câmara dos Deputados nesta semana.

Saiba mais
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou na sexta-feira (20) as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. Por seis votos a três, o tribunal manteve a decisão de um tribunal inferior que definiu excesso de autoridade de Trump.
A Corte decidiu que a interpretação do governo Trump de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede ao presidente poder para impor as tarifas interferiria nos poderes do Congresso e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes.
A doutrina exige que ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso. Anteriormente, o tribunal usou o mesmo argumento para barrar ações executivas- chaves aplicadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden.
Em voto, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, citando a decisão anterior, destacou que Trump deve “apontar uma autorização clara do Congresso para justificar sua afirmação extraordinária do poder de impor tarifas”, acrescentando: “Ele não pode fazer isso”.
A decisão do tribunal veio após uma contestação judicial movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados norte-americanos, a maioria deles governados por democratas, contra o uso sem precedentes da lei por Trump para impor unilateralmente impostos de importação.
Tarifa geral de 15%
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço do presidente Donald Trump, foi seguida pelo anúncio feito pelo governo americano de uma nova tarifa global de 10%.
A política tarifária do presidente ganhou novos contornos no sábado (21), quando ele anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, dentro do limite previsto na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a aplicação de tarifas por até 150 dias antes de avaliação pelo Congresso.
As novas tarifas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA. Há, no entanto, exceções para determinados produtos, como minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.
Na prática, a decisão da Suprema Corte, na última sexta-feira (20), anulou todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Inclui também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025.
O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio feito por Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros.
Brasil
Em janeiro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou que, em meio ao tarifaço imposto por Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025, somando US$ 37,716 bilhões, ante US$ 40,368 bilhões registrados em 2024.
No sentido oposto, as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,3% no ano passado, alcançando US$ 45,246 bilhões, contra US$ 40,652 bilhões no ano anterior. Com a queda das exportações e a alta das importações, o Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos.
Em novembro de 2025, o mandatário estadunidense anunciou a retirada da tarifa adicional de 40% aplicada a uma série de produtos brasileiros. Ainda assim, conforme cálculos do próprio ministério, 22% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 8,9 bilhões, continuam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho.





